Copenhaga, a capital da Dinamarca, é o palco do debate sobre a diminuição das emissões de gases poluentes, entre as 192 nações mundiais que participam na conferência da ONU sobre o clima.Ondas de calor, tempestades, cheias, degelo, água parca, extinção de espécies, vítimas humanas, fome, refugiados, doenças, destruição… é este o cenário apresentado por Rajendra Pachauri para o que sucederá caso nada se faça no combate ao aquecimento global.
Dez anos passados desde a ratificação do Tratado de Quioto, os líderes mundiais propõe-se à celebração de um novo pacto ambiental que entrará em vigor logo após o término do actual tratado, em 2012.
Entre 7 e 18 de Dezembro, pretende-se chegar a um novo acordo legalmente vinculativo, mundial, mais abrangente e claramente mais ambicioso, que ponha cobro ao flagelo das alterações climáticas.
Limitar o aquecimento global a menos de 2ºC
O objectivo central é o de limitar o aquecimento global a menos de 2º C acima da temperatura pré-industrial. Isto porque existem fortes indícios científicos de que as alterações climáticas constituirão um sério perigo para além daquele limiar.
Não só no estabelecimento de metas mundiais para a redução das emissões se prendem os pontos centrais a debater, também importa proporcionar uma base para o reforço da capacidade de adaptação de cada país às alterações climáticas.
Para tal, torna-se necessário tomar sérias medidas, não apenas ao nível dos países desenvolvidos, mas também dos países em desenvolvimento.
Investimento poderá atingir os 175 milhões por ano
Consequentemente, o investimento adicional líquido à escala mundial poderá ter de subir para cerca de 175 milhões de euros por ano até 2020.
Assim sendo, os países em desenvolvimento necessitam de um financiamento substancialmente superior que os ajude a contribuir para a resolução do problema das alterações climáticas.
“A nossa sobrevivência não é
negociável”
A sessão inaugural da Conferência sobre alterações climáticas resultou num autêntico apelo ao consenso mundial para que a acção humana recue na poluição atmosférica; “a nossa sobrevivência não é negociável”, apelaram dramaticamente os líderes de alguns dos países que poderão vir a desaparecer com a subida do nível dos oceanos, Vanuatu, Cook ou as Fidji.
Redução de um documento aumenta hipóteses
Em cima da mesa de negociações está agora um documento com sete páginas que devolve alguma concretização à hipótese de se alcançar um acordo ecuménico. Este documento vem substituir um anterior, com 200 páginas, com o qual seria difícil trabalhar e obter um consenso no período restante.
O documento em questão é uma proposta de protocolo que, a ser discutida, corrigida e aceite, pode vir a tornar-se juridicamente vinculativa.
Entre os mais obstinados ao texto estão os gigantes EUA e Japão, sendo que os primeiros estão em segundo lugar na lista dos países que emitem mais gases causadores do efeito de estufa, precedidos da China.
Presumível pacto secreto consterna alguns líderes mundiais
A divulgação de um alegado pacto secreto entre os EUA, Reino Unido e Dinamarca, logo no segundo dia da cimeira, tornou o clima bastante tenso entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento.
Este previa limitar as emissões poluentes dos países pobres a metade daquela permitida às nações mais desenvolvidas, previa ainda retirar à ONU a gestão dos fundos ambientais, entregando-os a um comité a cargo do Banco Mundial.
O representante da delegação da Arábia Saudita, afirma temer “o fracasso das negociações”, depois da divulgação deste pacto.
Justiça Climática
Milhares de pessoas juntaram-se em Copenhaga no passado sábado, a meio do decurso da cimeira do clima, numa manifestação onde a expressão mais ouvida foi “Justiça Climática”.
Organizações não governamentais de ambiente ou desenvolvimento, agricultores, jovens, grupos de cidadãos, atingiram-se números nunca antes vistos para exercer pressão junto dos governantes e líderes mundiais na busca de um acordo climático justo e ambicioso. O protesto terminou com algumas detenções.
O escândalo “Climategate”
Durante o mês de Novembro, rebentou um dos maiores escândalos científicos da História, o qual foi apelidado de Climategate – uma alusão ao Watergate, um escândalo político ocorrido nos EUA, nos anos 70.
Hackers descobriram ficheiros, como e-mails ou programas informáticos, nas redes da CRU (Unidade de Investigação do Clima) trocados e utilizados desde 1996 por alguns dos mais prestigiados cientistas da Universidade de East Anglia, no Reino Unido.
Os referidos ficheiros encontravam-se num servidor da CRU e a sua autenticidade não foi contestada, até ao momento.
Os e-mails denunciam a manipulação de dados das temperaturas para exagerar o aquecimento global. Referem ainda uma série de esforços concertados dos seus autores, junto de editores de algumas das mais prestigiadas revistas científicas, para não publicarem estudos que pusessem em causa as suas teses ou os dados por eles utilizados. Para tal, recorreram amiúde a ameaças de várias ordens.
Procuraram, no fundo, subverter em seu benefício toda a opinião científica e as demais, com um qualquer efeito perverso.
A Universidade acabou por suspender Phil Jones, o cientista que dirige a CRU até que se dê por concluída a investigação.
Esta situação causou grande polémica na comunidade científica mundial e inclusive por detrás do pano da cimeira das negociações climáticas que, de certa forma, poderia ter perdido todo o seu sentido.
Também o motor de busca Google revela que houve mais de 10.600.000 referências em menos de uma semana após ter vindo a público.
É, porém, surpreendente que a comunicação social portuguesa tenha abafado o caso durante quase um mês.
Não existe aquecimento global desde 1998
O que é facto é que a temperatura global do planeta terra não aumenta desde 1998, apesar do crescimento das emissões de CO2.
Na verdade, olhando afincadamente para alguns desastres climáticos, conseguimos tirar certas conclusões.
Em 1967, Lisboa sofreu terríveis inundações, um dos maiores desastres climáticos em Portugal. Daí resultaram centenas de mortes e imensos prejuízos materiais.
As emissões de CO2 ou o aquecimento global em nada influenciaram a situação.
Na altura, aliás, a imprensa internacional denunciava o receio de uma nova idade do gelo motivada pelo arrefecimento que se fazia sentir.
Relatos comprovam ainda que, em séculos passados, alguns dos rios europeus podiam ser atravessados a pé por estarem completamente gelados.
Recuando mais um pouco na História, os vikings colonizaram a Gronelândia durante o óptimo climático. O nome “Gronelândia” significa “terra verde”, porque na altura era efectivamente verde.
Mais tarde, a progressão dos gelos em direcção ao litoral tornou a agricultura impraticável e os colonos acabaram por morrer, muitos sub nutridos.
Trata-se de eras climáticas a que o planeta Terra tem vindo a assistir desde a sua formação.
Todavia, os mais cépticos que defendem e propagam o Climategate não sugerem que se possa agir de forma desbravada na emissão de CO2, ou na poluição atmosférica em geral, apenas comprovam que a acção humana não é bode expiatório onde recaia toda a culpa na matéria. Temos influência sim, mas esta talvez não seja tão intensa quanto nos fizeram crer.
Somos, aliás, demasiado pequenos neste planeta, bem mais pequenos do que nós supomos.

















































Ultrapassado que está metade do mandato de António Cunha à frente da reitoria da Universidade do Minho, o reitor faz um balanço positivo do que foi feito e abordou temas quentes na actualidade universitária.

