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Governo egípcio anuncia aumento de salários e reformas

O Governo egípcio anunciou hoje um aumento de 15 por cento nos salários na função pública e no Exército, a partir do início de Abril. Uma medida que visa acalmar a revolta popular que estalou há quase duas semanas no país, mas a oposição promete não desarmar, continuando a ocupar a praça Tahrir, no centro do Cairo. 
Os aumentos, que se estendem também às reformas, “vão custar 6500 milhões de libras egípcias ao Tesouro”, anunciou o ministro das Finanças, Samir Radwan, no final da primeira reunião do novo Governo, nomeado pelo Presidente Hosni Mubarak após o início dos protestos, a 25 de Janeiro. Na reunião, presidida pelo próprio Mubarak, foi ainda decidido criar um fundo para compensar os donos de fábricas e lojas vandalizas ou saqueadas durante as manifestações. O executivo decidiu ainda encurtar em uma hora o período de recolher obrigatório, que passa a vigorar entre as 20h00 e as 06h00. O recolher obrigatório foi imposto no dia 28 de Janeiro, no auge da revolta popular, mas as autoridades foram incapazes de fazer respeitar as restrições de circulação. Dia após dia, centenas de milhares manifestaram-se no Cairo, mas também em Alexandria e outras cidades, para lá da hora do recolher. As medidas foram anunciadas um dia depois de o vice-presidente, Omar Suleiman, se ter reunido com a oposição para negociar uma solução para a crise. No encontro foi decidido criar um comité para estudar alterações à Constituição e o Governo prometeu analisar a libertação de presos políticos e o levantamento das leis de emergência que vigoram há décadas. Mas os grupos da oposição, entre eles a influente Irmandade Muçulmana, consideraram as cedências insuficientes e prometeram continuar os protestos. Entretanto, milhares continuam acampados na Tahrir, o último reduto dos manifestantes, prometendo não desistir dos protestos até que Mubarak abandone a presidência. A televisão Al-Jazira dava esta manhã conta de alguma tensão entre os manifestantes e o Exército. Durante dias, os soldados que guardam as entradas da praça foram vistos como uma protecção contra os grupos pró-Mubarak que atacaram o local, mas as notícias de que eles têm ordem para evacuar a praça estão a criar algum mal-estar. A BBC conta que várias pessoas passaram a noite dentro ou à frente dos veículos militares para os impedir de se movimentarem. A verdade é que, apesar dos esforços da oposição, a vida começa aos poucos a regressar à normalidade na grande metrópole. Os bancos reabriram ontem, muitas lojas estão de novo de portas abertas e o trânsito é de novo intenso em muitas avenidas da capital. Uma normalidade que é mais difícil junto à praça Tahrir. Ali, as ruas continuam encerradas, o comércio permanece fechado e, esta manhã, um cordão humano cercou um importante edifício do Governo para impedir a sua reabertura. “Há profundas divisões” entre os egípcios, relata um correspondente da estação árabe, dizendo que “de um lado as pessoas concordam com as mensagens que vêm da praça Tahrir” mas há outros que querem o imediato regresso à normalidade – “é o Egipto onde 40 por cento da população vive de salários ao dia”.

 
 
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