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Ana Gabriela Macedo em entrevista

Ana Gabriela Macedo é a nova presidente do Conselho Cultural da Universidade do Minho. Este é um órgão de consulta do reitor e do conselho geral em questões de política cultural da Universidade. Ana Gabriela Macedo é docente e investigadora do Instituto de Letras e Ciências Humanas e tomou posse do Conselho no passado dia 7 de Maio. Em entrevista ao ACADÉMICO e à RUM, onde contou com a presença de Henrique Barreto Nunes, vice-presidente do órgão, a presidente do Conselho Cultural fala dos projectos que tem para dinamizar a cultura entre a universidade e a comunidade. Cooperação com Guimarães Capital da Cultura 2012 pode ser uma realidade. Ana Macedo fala também das dificuldades por que passa o Conselho Cultural e da responsabilidade de ocupar um lugar anteriormente ocupado por Lúcio Craveiro da Silva.

Quais são as principais funções do Conselho Cultural da Universidade do Minho?

O Conselho Cultural é um organismo que tem como função pôr a universidade em contacto mais directo com a comunidade e dar voz às unidades culturais que existem na Universidade do Minho, articular a sua acção e promover o diálogo entre as mesmas.

Existem algumas actividades e iniciativas que o Conselho Cultural irá organizar? Já existe um plano concreto de actividades pensadas para os próximos tempos?

Podemos falar de estratégias, mas não podemos falar de um plano de actividades a longo prazo. Na realidade, o Conselho Cultural não funciona sozinho. Funcionámos de acordo com a relação com as unidades culturais e muito do que elas promovem é aquilo que será a acção do Conselho Cultural. Aquilo que cada unidade cultural irá promover, e existem neste momento actividades em curso, constitui aquilo que é a actividade do Conselho Cultural. Há coisas que existiam e vão continuar a existir, como a revista Fórum, da qual o Dr. Henrique Barreto Nunes será o coordenador. Há actividades que me foram propostas pela reitoria e que vamos tentar responder, como é o caso da promoção de um Festival de Outono que se irá realizar no início do ano e que pretende contextualizar a chegada dos novos alunos e aprofundar os laços do que é a Universidade com o que existe na comunidade. Tudo isso poderá ser fomentado numa relação e num diálogo possível com a comunidade, que a meu ver tem sido pouco.

Foram detectadas algumas lacunas nesse aspecto, na relação com os estudantes?

Acho que se pode fazer sempre muito mais e melhor em tudo. E quando se fala de cultura, estando nós em Braga, poder-se-á dizer que ainda há muito para fazer. No que diz respeito à relação da universidade com a comunidade com certeza que se pode fazer sempre muito mais e muito melhor. E, no geral, é nisso que estamos empenhados. Estamos empenhados em abrir o Conselho Cultural a propostas, receber sugestões das várias escolas e têm chegado cada vez mais propostas da universidade. Não vejo o Conselho Cultural como proponente de várias acções, mas antes receptor e promotor de ideias. Nós vamos incentivando, ao mesmo tempo que se criam sinergias a que nós iremos corresponder com ideias nossas. É um caminho que vamos percorrendo.

Como identifica o estado da cultura académica, neste momento?

Os estudantes também estão representados no Conselho Cultural. Esperámos que, não só colaborem connosco, mas também que promovam e proponham novas ideias. Estamos dispostos a que esse diálogo seja cada vez mais fértil. Acho que não se vê muito a cultura promovida pelos estudantes, não é uma coisa que tenha grande visibilidade. Mas através dos estudantes tenho conhecido as actividades que promovem, mas existem muitas coisas que fazem que eu não tenho conhecimento. Conheço os grupos de intervenção mais a nível musical do que os restantes. Conheço também o teatro e penso que este grupo faz coisas interessantes. Acho que mereciam um espaço melhor, uma coisa que há anos venho dizendo: Temo pelo espaço onde está o TUM e penso que merecem uma dignidade maior.

O Conselho Cultural pode agir sobre esta questão do espaço do teatro?
Eu vejo-me como mediadora aqui. Acho que o Conselho Cultural pode e deve ter uma acção neste assunto. Conheço o tipo de actividades que os estudantes têm feito no teatro. Há algo a ser feito, que merece a pena ser feito e que está a ser feito noutras universidades.

Henrique Barreto Nunes: Quase que não tem havido qualquer contacto entre os grupos académicos e o Conselho Cultural. Apesar de haver um estudante representado no Conselho Cultural, contam-se pelas vezes em que estes se fizeram representar nas reuniões de plenário e propostas nunca apareceram. Houve alguns contactos feitos pela AAUM, mas os grupos académicos passaram um pouco ao lado do Conselho Cultural.

Do Conselho Cultural fazem parte algumas personalidades externas ligadas à cultura. Esteve presente no processo de escolha das mesmas?

Sim, sem dúvida. Eu tive a possibilidade de sugerir ao senhor reitor as entidades que podiam coadjuvar o trabalho do Conselho Cultural. Embora algumas das pessoas se mantenham do grupo do Conselho Cultural anterior, temos personalidades novas porque queremos fazer apostas diferentes e quisemos diversificar... Sair de Braga.

Acredita que estes novos membros irão conferir a tal aproximação à sociedade que é um dos desejos e intentos do Conselho Cultural?

Espero que sim. Estou com optimismo em relação a isso. Personalidades como o Dr. João Fernandes do museu de Serralves, o professor Alexandre Quintanilha do Instituto de biologia molecular e celular do Porto, o Carlos Barbosa da academia de Viana do Castelo, são personalidades muito diferentes e foi  essa a ideia a presidiu a escolha: pessoas muito diferentes, com valências muito diferentes e com potenciais enormes no que diz respeito a poderem ser uma ajuda para nós.

E houve receptividade por parte dessas pessoas?

Essas pessoas aceitaram com extrema generosidade. Não houve um “Não” nestas respostas.
Logicamente, são pessoas que nos ligam com relações de amizade, porque disso se trata também. Eu não acredito que se possa trabalhar com pessoas onde não haja confiança. Isto é um trabalho muito especial em que as pessoas têm de estar empenhadas.  Cada uma destas pessoas que nos ajuda tem algo de muito importante que é o acreditar de que se podem fazer coisas culturalmente, e que isso é uma mais-valia. Pensar em conjunto dá frutos, a curto, médio ou longo prazo... Mas dá!

De que forma poderá ser corporizada essa relação diferente com a sociedade minhota e entre Braga e Guimarães?

Não gosto de pensar nessas separações. Acho que já vivemos num país pequeno demais... Torná-lo mais pequeno, dividindo-o por regiões assusta-me imenso. Eu sou contra qualquer tipo de paroquialismo. Gosto de pensar grande, ou seja, com horizontes abertos. Olhar para fora e pedir ajuda a outros que sabem mais do que nós, é fundamental.
Quando não sabemos alguma coisa, perguntamos a quem sabe.
Temos o Museu de Serralves no Porto que é extraordinário no que diz respeito a receptividade e abertura ao exterior, temos de aprender com ele.
Temos o Museu Nogueira da Silva, em Braga que é um lugar excelente, que tem um director fantástico e competente, mas que precisa de apoios. Como é que se conseguem apoios?
Temos um Museu a passar dificuldades na nossa universidade, porque em Portugal não há o hábito de haver o mecenato.

Refere que o Museu Nogueira da Silva está a passar por dificuldades. Até que ponto poderá ser grave essa situação?

Não afirmei isso com uma intenção alarmista. Todos sabemos que um museu é algo muito caro em termos de manutenção. Há muitas peças que necessitam de intervenção directa.
Fica tudo muito caro. E quem paga isso? O Estado? A reitoria? Sim, tem sido a reitoria, mas tem sido muito caro.
O que pode o Conselho Cultural fazer para sensibilizar empresários ou a reitoria para obter ajudas?

O que pensamos é abrir as portas. Esta exposição [Imagens para a Dignidade] que o Conselho Cultural organizou foi um marco de que as pessoas podem vir à reitoria não só para preencher papéis ou para sessões solenes, mas podem vir também a conferências, concertos, como por exemplo aqueles que são promovidos pela Orquestra da Universidade, etc. A abertura é algo em que estamos empenhados.

Já tem pensado alguma forma de ligação a Guimarães Capital Europeia da Cultura em 2012?

Não é o Conselho Cultural que está a mediar esse contacto com Guimarães, Capital da Cultura. No entanto, a reitoria está muito interessada nisso e nós, enquanto Conselho Cultural, também.
Tem havido contacto, já estivemos em Guimarães, em reuniões, e teremos todo o interesse em colaborar de todas as formas possíveis.

Sente o peso da responsabilidade de ocupar um cargo já ocupado por Lúcio Craveiro da Silva?

Obviamente que sim, por um lado é uma honra estar num lugar que já foi do professor Lúcio Craveiro da Silva. Mas por outro lado, encaro isso com simplicidade. Primeiro, porque tenho ao meu lado o Dr. Henrique Barreto Nunes, que tem uma larga experiência neste cargo e depois, porque nunca estou sozinha. Estou sempre rodeada de colegas e eu própria sou professora e investigadora e assumo que se poderão fazer muitas coisas dentro do diálogo e que há um longo caminho a percorrer e a aprender.


Quais são as principais funções do Conselho Cultural da Universidade do Minho?

O Conselho Cultural é um organismo que tem como função pôr a universidade em contacto mais directo com a comunidade e dar voz às unidades culturais que existem na Universidade do Minho, articular a sua acção e promover o diálogo entre as mesmas.

Existem algumas actividades e iniciativas que o Conselho Cultural irá organizar? Já existe um plano concreto de actividades pensadas para os próximos tempos?

Podemos falar de estratégias, mas não podemos falar de um plano de actividades a longo prazo. Na realidade, o Conselho Cultural não funciona sozinho. Funcionámos de acordo com a relação com as unidades culturais e muito do que elas promovem é aquilo que será a acção do Conselho Cultural. Aquilo que cada unidade cultural irá promover, e existem neste momento actividades em curso, constitui aquilo que é a actividade do Conselho Cultural. Há coisas que existiam e vão continuar a existir, como a revista Fórum, da qual o Dr. Henrique Barreto Nunes será o coordenador. Há actividades que me foram propostas pela reitoria e que vamos tentar responder, como é o caso da promoção de um Festival de Outono que se irá realizar no início do ano e que pretende contextualizar a chegada dos novos alunos e aprofundar os laços do que é a Universidade com o que existe na comunidade. Tudo isso poderá ser fomentado numa relação e num diálogo possível com a comunidade, que a meu ver tem sido pouco.

Foram detectadas algumas lacunas nesse aspecto, na relação com os estudantes?

Acho que se pode fazer sempre muito mais e melhor em tudo. E quando se fala de cultura, estando nós em Braga, poder-se-á dizer que ainda há muito para fazer. No que diz respeito à relação da universidade com a comunidade com certeza que se pode fazer sempre muito mais e muito melhor. E, no geral, é nisso que estamos empenhados. Estamos empenhados em abrir o Conselho Cultural a propostas, receber sugestões das várias escolas e têm chegado cada vez mais propostas da universidade. Não vejo o Conselho Cultural como proponente de várias acções, mas antes receptor e promotor de ideias. Nós vamos incentivando, ao mesmo tempo que se criam sinergias a que nós iremos corresponder com ideias nossas. É um caminho que vamos percorrendo.

Como identifica o estado da cultura académica, neste momento?

Os estudantes também estão representados no Conselho Cultural. Esperámos que, não só colaborem connosco, mas também que promovam e proponham novas ideias. Estamos dispostos a que esse diálogo seja cada vez mais fértil. Acho que não se vê muito a cultura promovida pelos estudantes, não é uma coisa que tenha grande visibilidade. Mas através dos estudantes tenho conhecido as actividades que promovem, mas existem muitas coisas que fazem que eu não tenho conhecimento. Conheço os grupos de intervenção mais a nível musical do que os restantes. Conheço também o teatro e penso que este grupo faz coisas interessantes. Acho que mereciam um espaço melhor, uma coisa que há anos venho dizendo: Temo pelo espaço onde está o TUM e penso que merecem uma dignidade maior.

O Conselho Cultural pode agir sobre esta questão do espaço do teatro?
Eu vejo-me como mediadora aqui. Acho que o Conselho Cultural pode e deve ter uma acção neste assunto. Conheço o tipo de actividades que os estudantes têm feito no teatro. Há algo a ser feito, que merece a pena ser feito e que está a ser feito noutras universidades.

Henrique Barreto Nunes: Quase que não tem havido qualquer contacto entre os grupos académicos e o Conselho Cultural. Apesar de haver um estudante representado no Conselho Cultural, contam-se pelas vezes em que estes se fizeram representar nas reuniões de plenário e propostas nunca apareceram. Houve alguns contactos feitos pela AAUM, mas os grupos académicos passaram um pouco ao lado do Conselho Cultural.

Do Conselho Cultural fazem parte algumas personalidades externas ligadas à cultura. Esteve presente no processo de escolha das mesmas?

Sim, sem dúvida. Eu tive a possibilidade de sugerir ao senhor reitor as entidades que podiam coadjuvar o trabalho do Conselho Cultural. Embora algumas das pessoas se mantenham do grupo do Conselho Cultural anterior, temos personalidades novas porque queremos fazer apostas diferentes e quisemos diversificar... Sair de Braga.

Acredita que estes novos membros irão conferir a tal aproximação à sociedade que é um dos desejos e intentos do Conselho Cultural?

Espero que sim. Estou com optimismo em relação a isso. Personalidades como o Dr. João Fernandes do museu de Serralves, o professor Alexandre Quintanilha do Instituto de biologia molecular e celular do Porto, o Carlos Barbosa da academia de Viana do Castelo, são personalidades muito diferentes e foi  essa a ideia a presidiu a escolha: pessoas muito diferentes, com valências muito diferentes e com potenciais enormes no que diz respeito a poderem ser uma ajuda para nós.

E houve receptividade por parte dessas pessoas?

Essas pessoas aceitaram com extrema generosidade. Não houve um “Não” nestas respostas.
Logicamente, são pessoas que nos ligam com relações de amizade, porque disso se trata também. Eu não acredito que se possa trabalhar com pessoas onde não haja confiança. Isto é um trabalho muito especial em que as pessoas têm de estar empenhadas.  Cada uma destas pessoas que nos ajuda tem algo de muito importante que é o acreditar de que se podem fazer coisas culturalmente, e que isso é uma mais-valia. Pensar em conjunto dá frutos, a curto, médio ou longo prazo... Mas dá!

De que forma poderá ser corporizada essa relação diferente com a sociedade minhota e entre Braga e Guimarães?

Não gosto de pensar nessas separações. Acho que já vivemos num país pequeno demais... Torná-lo mais pequeno, dividindo-o por regiões assusta-me imenso. Eu sou contra qualquer tipo de paroquialismo. Gosto de pensar grande, ou seja, com horizontes abertos. Olhar para fora e pedir ajuda a outros que sabem mais do que nós, é fundamental.
Quando não sabemos alguma coisa, perguntamos a quem sabe.
Temos o Museu de Serralves no Porto que é extraordinário no que diz respeito a receptividade e abertura ao exterior, temos de aprender com ele.
Temos o Museu Nogueira da Silva, em Braga que é um lugar excelente, que tem um director fantástico e competente, mas que precisa de apoios. Como é que se conseguem apoios?
Temos um Museu a passar dificuldades na nossa universidade, porque em Portugal não há o hábito de haver o mecenato.

Refere que o Museu Nogueira da Silva está a passar por dificuldades. Até que ponto poderá ser grave essa situação?

Não afirmei isso com uma intenção alarmista. Todos sabemos que um museu é algo muito caro em termos de manutenção. Há muitas peças que necessitam de intervenção directa.
Fica tudo muito caro. E quem paga isso? O Estado? A reitoria? Sim, tem sido a reitoria, mas tem sido muito caro.
O que pode o Conselho Cultural fazer para sensibilizar empresários ou a reitoria para obter ajudas?

O que pensamos é abrir as portas. Esta exposição [Imagens para a Dignidade] que o Conselho Cultural organizou foi um marco de que as pessoas podem vir à reitoria não só para preencher papéis ou para sessões solenes, mas podem vir também a conferências, concertos, como por exemplo aqueles que são promovidos pela Orquestra da Universidade, etc. A abertura é algo em que estamos empenhados.

Já tem pensado alguma forma de ligação a Guimarães Capital Europeia da Cultura em 2012?

Não é o Conselho Cultural que está a mediar esse contacto com Guimarães, Capital da Cultura. No entanto, a reitoria está muito interessada nisso e nós, enquanto Conselho Cultural, também.
Tem havido contacto, já estivemos em Guimarães, em reuniões, e teremos todo o interesse em colaborar de todas as formas possíveis.

Sente o peso da responsabilidade de ocupar um cargo já ocupado por Lúcio Craveiro da Silva?

Obviamente que sim, por um lado é uma honra estar num lugar que já foi do professor Lúcio Craveiro da Silva. Mas por outro lado, encaro isso com simplicidade. Primeiro, porque tenho ao meu lado o Dr. Henrique Barreto Nunes, que tem uma larga experiência neste cargo e depois, porque nunca estou sozinha. Estou sempre rodeada de colegas e eu própria sou professora e investigadora e assumo que se poderão fazer muitas coisas dentro do diálogo e que há um longo caminho a percorrer e a aprender.
Daniel Vieira da Silva
 
 
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