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“O nosso espectáculo foi concebido para não ter nenhuma barreira de linguagem”

Os be-dom, banda portuense de percussão com materiais alternativos criada há cerca de dez anos, lançaram recentemente o primeiro DVD gravado ao vivo nesse estilo em Portugal. Na semana passada, Miguel, Marco, Tiago, Baltaz, Raul e Rui deslocaram-se à Fnac de Braga para divulgarem o trabalho. Antes de uma exibição com bidões, panelas, garrafas e o próprio corpo, os be-dom estiveram à conversa com o ACADÉMICO.

Como está a correr a divulgação do DVD? Vem de acordo com as expectativas?
Baltaz: Está a correr bem. Temos tido alguma atenção por parte dos media, a editora também tem tratado bem das coisas. Estamos agora numa “tour” pelas lojas Fnac a promover o DVD.

Vocês tinham dito que queriam fazer uma edição especial. Parece que já está nas lojas…
B: Já temos a edição especial de 250 unidades, ou seja, uma edição limitadíssima. No primeiro dia no Norteshopping esgotou e no Marshopping está praticamente esgotada. O que estamos a fazer é quando fomos tocar às Fnac a edição especial vai estar lá. Hoje viemos cá a Braga e está aqui, mas vai desaparecer. Acho que compensa porque é uma caixa mais engraçada, com alguns extras e ao mesmo preço que a normal. O nosso desejo era que a caixa inicial fosse esta.

Acham que estão a ter a atenção devida por parte dos media?
B: A nível da imprensa, a editora contacta muita gente a ver se querem fazer uma reportagem e, normalmente, somos chamados para fazer. Acho que estamos a ter grande atenção. Também é preciso ver que acabou por resultar porque o lançamento foi numa semana boa. Na seguinte, saiu para o mercado um montão de coisas e a imprensa não consegue dar atenção a tudo. Penso que aquelas duas primeiras semanas foram boas ao nível da divulgação e atenção.

Prepararam alguma coisa especial para o concerto?
B: Vamos tocar, como sempre, em tudo. Preparámos umas piadas especiais para a promoção do DVD nas Fnac, que acho que vão divertir bastante o público. E tratámos de personalizar, como sempre, nas exibições nas Fnac.

O que preferem: um palco com uma grande plateia ou um ambiente mais fechado, em que exista maior proximidade com os espectadores?
Marco: O que estimula não é o número de pessoas de cada espectáculo, óbvio que gostamos de tocar para muita gente, mas gostamos de espectáculos com muita interactividade com o público. Não temos apenas um concerto, temos, no fundo, um espectáculo de entretenimento em que fazemos comédia além de tocarmos em bidões.
B: É bom ver que as pessoas sorriem, que participam quando pedimos. No fundo, é esse o objectivo do espectáculo.

Desde que saiu o DVD, acham que mudou alguma coisa?
B: O que posso dizer é que temos muito menos tempo. Por exemplo, hoje saímos do trabalho e viemos para aqui. Acho que o que mudou é que as pessoas podem ver-nos em casa e quem não nos conhece tem uma nova forma de nos conhecer. Não podendo ir ao espectáculo, compra o DVD para ter uma ligeira ideia do que é uma actuação ao vivo porque, mesmo assim, muito fica por mostrar.

Imaginem que eram convidados para actuar na UM. Como ia ser o espectáculo e com o que é que iam tocar?
B: Arranjaríamos de certeza uma forma de interagir com o público, mais que não seja por uma notícia que tenha saído há pouco sobre a UM, ou alguma mascote que tenham ou objecto peculiar que exista.
M: E espírito não falta. Tenho a certeza de que interactividade não ia faltar.

Como é que se imaginam daqui a 20 anos?
B: Ou estamos aí simplesmente a tocar bidão como os Xutos e Pontapés ou já estamos cada um no seu trabalho… Mas, divertimo-nos tanto a fazer isto que acho que daqui a 20 anos ainda vamos andar por aí a fazer “tour” pelas Fnac.
M: A questão é até que ponto vamos funcionar, mas a motivação é muita.

Quais são os próximos objectivos dos be-dom?
B: Marcar uma “tour” por auditórios nacionais e salas de espectáculos de câmaras municipais, pois são estes espaços onde existe melhor comunicação com o público. As pessoas que vêem o DVD vêem um espectáculo num auditório, apesar de termos a possibilidade de adaptar o espectáculo a qualquer sítio onde actuemos. Por exemplo já fomos a queimas-das-fitas.
M: Se calhar também actuar para fora do país, onde já tocámos algumas vezes. O nosso espectáculo foi concebido para não ter nenhuma barreira de linguagem. O público pode ser qualquer pessoa do Mundo.

Quais são as maiores dificuldades?
B: No fundo é mesmo o tempo. Outra é que a maior parte das coisas que se processam a nível do mundo do espectáculo é em Lisboa. Nós, vivendo no Porto, temos de lá ir muitas vezes.
M: Já muitas vezes saí de trabalhar e fui ao Algarve dar um concerto e depois voltei para ir trabalhar no dia seguinte.
B: A grande dificuldade é conciliar as duas vidas: ser be-dom e trabalhar, ao mesmo tempo.

Cláudia Fernandes
 
 
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