Pgina inicial

Pedro Soares em entrevista exclusiva

Pedro Soares, presidente da AAUM, em entrevista exclusiva ao Jornal Académico, confessa-se surpreendido com a saída prematura de António Guimarães Rodrigues. Soares lança, ainda, o repto aos jovens para que se assumam e se interessem mais nos actos democráticos do país.
Temas como a nova sede da AAUM foram colocados em cima da mesa. O sonho mantém-se...


Que balanço fazes, enquanto presidente da AAUM, dos últimos 10 meses de mandato?


É sempre difícil falar dos últimos dez meses, sem falar dos últimos 24. O tempo passa muito depressa e existiu, ao longo dos últimos tempos, uma estratégia clara de atingir alguns objectivos e alguns deles materializam-se, agora, neste terceiro mandato.
O maior desafio foi começar o mandato com uma equipa totalmente diferente da anterior. Queríamos inovar, ter a capacidade de, com alguma imaginação, fazer um mandato que cumprisse tudo aquilo que é a responsabilidade de uma Associação. O acompanhamento pedagógico e as formações com delegados correram dentro daquilo que era a nossa expectativa. O ponto essencial deste início de mandato foi essa vertente pedagógica, de acompanhamento e implementação dos estatutos na UM.
O mandato prosseguiu bastante intenso até às férias de Verão, até porque se percebe que até lá não houve algum dia sem uma actividade da AAUM.
É difícil que nos acusem de apenas fazermos festas porque, até numa altura mais vocacionada para o Enterro da Gata, conseguimos ter uma equipa suficientemente elástica e capaz de estar a trabalhar em diversas áreas, quase em simultâneo.
Creio que foi um balanço extremamente positivo e muito intenso dos primeiros seis meses de mandato.
Em Setembro, marca-se o início do ano lectivo com o Acolhimento aos novos alunos, este ano com uma novidade, uma nova marca de seguros, AAUM Seguros, que vai permitir aos estudantes poupar dinheiro nas suas propinas. É um sonho de qualquer dirigente associativo, o de fazer com que os estudantes poupem nas propinas.
Houve também um estudo que realizámos onde analisámos o custo de vida dos estudantes da UM.
Tudo isso tem sido muito encaixado e coordenado, aproveitando o trabalho que é de voluntários e de estudantes como todos os meus colegas e que conseguiram conciliar todo o seu tempo e dinâmica para aproveitar para fazer muita coisa e com finalidades e objectivos importantes. Se tiver de adjectivar o balanço desta parte do mandato diria que foi muito intenso e positivo.

Satisfeito pelo trabalho dos novos elementos da direcção?

Eram pessoas que se tinham de organizar, à semelhança de outros anos. O facto das pessoas serem novas foi o argumento, a vitamina para garantir que havia uma imaginação e criatividade que conseguisse fazer actividades diferentes do habitual e com uma dinâmica muito forte. Essa dinâmica foi logo imposta desde o início do mandato.

Em tempos de crise, a AAUM parece passar ao lado da mesma, fruto das parcerias que foi fazendo que lhe permitem acabar os anos sempre com saldo positivo. Qual a estratégia que a AAUM seguiu?

A AAUM sentiu esta crise, na perspectiva de que a AAUM são os estudantes da Universidade do Minho e estes atravessam dificuldades.
Achávamos que tínhamos de mobilizar o movimento associativo nacional para conseguir mais objectivos e propusemos algumas medidas anti-crise. Fizemos algum trabalho e conseguimos resultados, nomeadamente pelo alargamento do passe social e o aumento das bolsas. Devo, no entanto, dizer que não ficámos satisfeitos com o que foi conseguido, porque me parece que não é suficiente para resolver o problema dos estudantes, e de alguns em particular, que atravessam grandes dificuldades no Ensino Superior.
No que respeita à gestão da direcção da AAUM, do ponto de vista financeiro, de facto, conseguimos fazer com que não se notasse no orçamento e o que conseguimos foi, através de parcerias,  encontrar mais-valias financeiras que não nos coloquem grandes restrições orçamentais, ou melhor, que nos permitam fazer tudo aquilo que nos propusémos, com a eficácia que queríamos ter.
Os apoios constantes a núcleos e várias iniciativas pontuais permitem-nos fazer o que gostamos, que é ajudar os estudantes, ajudar a que iniciativas boas e boas ideias não fiquem na gaveta por falta de capacidade financeira.
A RUM é um exemplo disso, porque conseguimos fazer investimento forte na rádio, no sentido de que se tenha destacado, já este semestre, com projectos muito interessantes e que marcaram este mandato. Não foi à toa que conseguimos ter quase todos os cabeças de lista às eleições legislativas a debater junto dos estudantes no Democracia Viva . Isto serviu para afirmar que neste mandato havia preocupações políticas no que diz respeito à participação dos jovens na vida activa e no debate, na discussão e depois, em resultado final, na participação do voto numas eleições que não quisemos que passassem ao lado dos estudantes.

A AAUM, como instituição que representa os estudantes, sentiu alguma aproximação de algum partido político no sentido de auscultar as necessidades dos estudantes?

Sentimos de todos. No entanto, os únicos que vieram até ao momento (PSD e PS) deslocaram-se à AAUM com os cabeças de lista pelo distrito às eleições legislativas e vieram ouvir as preocupações da AAUM e dos estudantes da UM em relação às políticas que se faziam no distrito e que se faziam, obviamente, no governo. O que fizemos foi apresentar aquilo que tinha sido um estudo realizado e que foi já feito com o propósito de disponibilizar a todos os candidatos alguma informação adicional.
Acho que não se podem fazer eleições num distrito como Braga sem ouvir os estudantes que são uma parte muito importante destas cidades e são, também, uma parte muito importante deste distrito.
Há uma preocupação grande em relação a esta temática das eleições porque não queremos, (e o objecto do Democracia Viva vem concretizar isso) que os jovens fiquem alheios ao acto eleitoral. A AAUM vai assumir um forte empenho, naquilo que é o incentivo ao voto e o combate a abstenção. Certamente, sem qualquer tipo de preferência partidária, porque essa não temos, mas numa perspectiva de que se vote. Acho que os jovens não podem deixar que esta decisão lhes passe ao lado e têm que começar, desde cedo, a estar informados, a ter consciência política, consciência de que têm um papel fundamental na sociedade e que “devem” exercer o seu direito de voto, no sentido de fomentar uma consciência cívica apurada.

Sente que há algum desinteresse dos jovens nos processos eleitorais. Tanto a nível interno (nas eleições na academia) como a nível nacional?

Tenho grandes dúvidas de que o afastamento dos jovens seja maior do que o afastamento do resto da população em geral. Não tenho dados para dizer que os jovens estão mais afastados.(...)

(...) Mas não consideras que é paradigmático que os jovens universitários, sendo o futuro do país, se revelem alheios a estes actos eleitorais?

Acho que esta falta de participação é um problema da sociedade. Agora que os jovens têm um papel importante para o resolver, isso sim, é aí que devemos intervir. Não acreditamos que os jovens possam ser o problema. Os jovens podem é ser a solução para o problema que existe de alguma indiferença de uma parte da sociedade em relação às eleições. Aliás, há aqui uma dificuldade que os jovens têm em combater aquilo que é a cultura instalada dentro das suas próprias casas e, portanto, terá de haver nos jovens uma força diferente para que as coisas melhorem. Os jovens são o futuro deste país e acho que a AAUM pode tentar ajudar a que seja trabalhada esta consciência de participação.
É importantíssimo o trabalho que a RUM está a fazer, através do Democracia Viva, na promoção de debates, aproximando todas as pessoas da Rádio Universitária e dos estudantes. Estes debates são fundamentais e inserem-se numa estratégia de aproximar o debate dos jovens no sentido de se promover uma melhor participação, numa perspectiva de que os jovens são a solução, não o problema.

Surpreendeu-te a saída de António Guimarães Rodrigues?

Não sei responder com clareza. Por um lado, a minha surpresa pode estar muito ligada à vontade que os estudantes tinham que ele não saísse, no pensamento de não querer ver que isso era possível. Por outro, está viciado pela vontade que tínhamos em que ficasse e que sempre assumimos e que tive oportunidade de dizer no discurso da Tomada de Posse. Por outro lado, compreendemos o facto de se entender, que este novo reitor tem uma lógica diferente, é eleito por um Conselho Geral e responde a um Conselho Geral com um programa eleitoral.
O reitor já tinha estratégia eleitoral, já tinha um programa eleitoral e objectivos definidos e sufragados por outra assembleia, portanto, poderia haver aqui alguma dificuldade de comunicação entre um órgão e outro.
Acho, no entanto, essencial destacar a lealdade e exigência, em simultâneo, que teve sempre para com os estudantes. Era, e é, muito exigente com a nossa participação e com o nosso bem-estar, porque exige, porque nos responsabiliza, porque nos atribui responsabilidades importantes, porque nos dá a responsabilidade de tomar decisões, de   intervir, de participar, mas também de uma forma que soube sempre respeitar aquilo que era a opinião dos estudantes. Este reitor teve, provavelmente, um comportamento exemplar em relação àquilo que era o respeito que tinha pelos estudantes e a importância que lhes dava dentro da instituição.

Eleições na UM, um novo reitor se avizinha. Há dois candidatos em disputa pelo cargo. Que opinião tens em relação a estas duas listas? Surpreendeu-te a apresentação da lista de Artur Neves Águas, candidato externo à UM?

Não. Não me surpreendeu de todo. Uma universidade como a UM, que cada vez mais se afirma no programa nacional e internacional, teria, obviamente de despertar o interesse de várias personalidades que concorreriam para apresentar as suas propostas e contribuir para a qualidade da decisão daqueles que serão os conselheiros e que aqueles que vão escolher o próximo reitor da Universidade. Portanto é sempre bom para a Universidade que haja muitas pessoas interessadas e muitos candidatos para que, também, quanto mais difícil for a escolha dos conselheiros para o próximo reitor da Universidade, melhor para este processo e para Universidade.

Os quatro representantes dos estudantes no Conselho Geral já decidiram a sua intenção de voto?

Não, neste momento conhecemos mal os candidatos, mas é natural que assim seja. Há um período de apresentação de candidaturas, que já estamos a ler com atenção. Contudo, há ainda uma audição pública, onde certamente será um momento muito importante para fazermos as perguntas e para vermos respondidas algumas das questões. Acredito que temos ainda alguma reflexão para fazer. Neste momento estamos a fazer a análise, de forma calma, de todas as propostas e candidaturas que existem e depois escolher, de acordo com aquilo que foi o nosso programa eleitoral e as nossas ideias apresentadas em Conselho Geral.

A três meses do final de mandato, o que consideras que ainda está por fazer. Há algum trunfo, algum sonho a realizar até Dezembro?

Existem muitos. Neste momento há uma série de iniciativas que estão planeadas, diferentes daquilo que é habitual, e que vão ocupar os próximos meses. Importante será o nosso papel a nível da política educativa onde vamos tentar ter uma participação forte e intensa nas eleições em todas as escolas, na eleição de todos os representantes dos Conselhos Pedagógicos e na orgânica daquilo que é o Senado Académico e na própria constituição deste órgão.
Em relação aos sonhos, a nova sede nunca saiu do horizonte, nunca desistimos dela, sabemos que é um projecto muito difícil de concretizar, que depende de muitas pessoas e que quanto a isso não podemos prometer aquilo que não sabemos que é possível. Mas é um sonho que nunca vai desaparecer independentemente de se conseguir neste mandato ou não.

O projecto tem conhecido alguns avanços?

Sim, mas nada que possa ser, neste momento, apresentado. São coisas que fazem parte daquilo que é um trabalho que se tem de fazer no foro interno e que não acrescenta nada àquilo que é a vontade de construir o novo edifício que será uma mais-valia para toda a comunidade académica.

A AAUM continua a ocupar os primeiros lugares do pódio no desporto universitário, como explicas o sucesso que, constantemente, vai acompanhando as nossas equipas?

Acho que é por termos os melhores atletas, afinal são eles que jogam, são eles que participam na competição. O nosso papel é o de criar as condições óptimas para que potenciem a sua qualidade e capacidade. Nesse aspecto, a AAUM tem uma preocupação muito grande em proporcionar-lhes momentos importantes no que respeita à sua participação internacional, após conseguirem as suas vitórias nos campeonatos nacionais universitários. Muito deste apoio é fruto de uma estreita relação que se tem com os Serviços de Acção Social, que do ponto de vista técnico assegura toda a qualidade naquilo que é o treino da própria equipa e acompanhamento técnico em algumas das modalidades.
Neste momento já há coisa engraçadas,  há já curiosidades interessantes de situações de atletas que, por quererem vir treinar para a UM, pedem transferências de curso para treinar nas nossas instalações e para poderem competir nas nossas equipas, quer a nível nacional, quer a nível internacional.
O caso mais recente desse acontecimento é o Taekwondo, por isso é que vamos realizar o primeiro Europeu de Taekwondo cá na UM, uma candidatura que foi apresentada em Janeiro deste ano e que se realiza já no próximo mês de Dezembro, onde, uma vez mais, vamos ter atletas de toda a Europa a competir.
Neste momento, o vencedor de uma taça europeia de taekwondo é português e aluno da UM, e portanto, há aqui também alguma perspectiva de bons resultados numa prova internacional que se realiza em casa. Dessa forma, esperamos que muitos estudantes se desloquem para assistir, mas acima de tudo, para se envolver na organização, visto tratar-se de experiências inesquecíveis e únicas para quem pode participar na organização de um evento tão importante como este, que existe para criar oportunidade aos estudantes.

Europeu de Basquetebol, Mundial de Badminton, agora Europeu de Taekwondo. Sentes que as instituições internacionais reconhecem na AAUM e na Universidade do Minho uma capacidade e qualidade organizativa ímpar?


Acredito que há uma credibilidade que foi construída ao longo deste tempo pela forma séria como os dirigentes da AAUM e os colaboradores do Departamento de Desporto e Cultura dos SASUM têm levado a cabo este tipo de iniciativas. Todo esse rigor e empenho acaba por conseguir resultados que me parecem bastante positivos e interessantes nos últimos anos.

Para terminar, temos um Pedro Soares a pensar na recandidatura, ou temos um Pedro a preparar alguém para assegurar um mandato situado numa linha ideológica idêntica que te rege?

O Pedro nunca prepara ninguém porque não é formador de ninguém, mas quer sempre proporcionar boas experiências aos dirigentes associativos,  na perspectiva de serem melhores enquanto pessoas e isso pode ser factor de motivação. Se é, ou não, já não me diz respeito.
As motivações para uma candidatura têm de ser sempre pessoais e das pessoas que concorrem, portanto, nesta perspectiva não há aqui qualquer tipo de pensamento sobre isso, até porque motivação, ou o centro das atenções, está sempre em cumprir com aquilo que foi a promessa eleitoral e é em cumprir com aquilo que as pessoas assumiram fazer que era este mandato, mas do primeiro, ao último dia.

Quando venceste as últimas eleições afirmaste que este seria o teu último mandato. Continuas com essa convicção?

Interessa-me única e exclusivamente cumprir este mandato, até porque as eleições são uma coisa que nos ocupa muito pouco tempo. Aliás, a motivação principal é servir os estudantes e fazer melhor pela AAUM e pelo estudantes.

Que mensagem pretendes deixar aos novos alunos que ingressam na UM?

Acho que este passo que dão ao ingressar no Ensino Superior é um passo bastante exigente para a definição da personalidade e do futuro. Portanto, espero que as actividades que a AAUM desenvolve vos ajude a conhecer melhor a instituição e este Acolhimento ’09, realizado com metodologias inovadores e fortemente elogiado noutras instituições, contribua para que a vossa integração seja a melhor possível e que disfrutem, obviamente, aproveitando a qualidade de ensino que existe na UM.
É importante que tenham a capacidade de crescer enquanto pessoas, do ponto de vista de complementarem a vossa formação. Nesse aspecto, a AAUM pode ser um parceiro nesse complemento à formação de jovens, conferindo experiências de participação e de trabalho associativo que servem de formação complementar em diversas áreas.
Espero, sobretudo, que tenham todo o sucesso que é esperado de um estudante que acabou de entrar na Melhor Academia do País e que só tem de tirar o melhor partido dela contribuindo para um cada vez melhor futuro desta instituição.
Daniel Vieira da Silva
 
 
Sentes-te inseguro perto da UM?
 
Descarrege a mais recente edio do Acadmico