Alunos vão ter um novo cartão universitário obrigatório do Santander, sem, no entanto, terem que criar conta. Divulgação arranca em Setembro, mas primeiros cartões são distribuídos já em Agosto Os cartões de identificação dos estudantes, funcionários e docentes da Universidade de Coimbra (UC) vão sofrer mudanças. As alterações prendem- se com a renovação e aprofundamento do convénio entre o Banco Santander Totta e a UC, em Janeiro deste ano, que prolongou a relação entre as instituições, cuja ligação remonta a 2003. O primeiro acordo levou à criação do Prémio UC e ao reforço do apoio a bolsas de mobilidade para estudantes e investigadores, com ênfase na América Latina, e ainda o suporte da candidatura a património da UNESCO.
A renovação do pacto traz “maisvalias importantes para a comunidade universitária”, refere Margarida Mano, pró-reitora para o acompanhamento da reestruturação dos serviços de suporte e apoio à governação da universidade. De entre o conjunto dessas novas formas de colaboração incluem-se projectos financiados em parte ou na totalidade pelo Santander, como a recuperação da Torre da Universidade; a colaboração em programas da iniciativa das faculdades da UC, a manutenção e o fortalecimento do protocolo com os países da América Latina e o apoio à produção de cultura na UC, em que se inclui a Semana Cultural.Cartão com novidades
A principal alteração introduz o novo cartão identitário (ver infografia) aos diferentes espaços da universidade. Margarida Mano acredita que a medida vai facilitar o quotidiano da comunidade universitária, já que deve assegurar “a identificação no acesso a diversos serviços, nomeadamente, bibliotecas, restaurantes universitários ou parques de estacionamento”. A responsável pela comunicação institucional do Banco Santander Totta, Cristina Dias Neves, explica que o cartão é considerado inteligente, já que congrega “quatro tecnologias diferentes”. Os novos cartões privilegiam a imagem da universidade. O cartão é de carácter obrigatório e, segundo Cristina Dias Neves, “o anterior [da Caixa Geral de Depósitos (CGD)], mesmo que se mantenha dentro da validade, deixa de ser reconhecido como de identificação na Universidade”. Com efeito, os novos cartões podem desde já ser solicitados através de uma “ficha-foto” que pode ser entregue “em qualquer balcão ou quiosque do Santander”. Neste momento, a universidade ainda está a preparar um “programa de divulgação por toda a comunidade académica”, no qual “o site da UC será um dos canais privilegiados para obter informação”, como esclarece a responsável do banco. A campanha de divulgação arranca em força em Setembro, mas, para já, encontra-se apenas afixada informação em alguns espaços da UC, como nas cantinas. Cristina Dias Neves revela que os cartões vão ser distribuídos em Agosto, embora haja poucos pedidos. Ainda que o cartão seja obrigatório e possa ter uma vertente bancária associada ao banco Santander, os alunos com contas noutras instituições bancárias poderão mantê-las. No caso da CGD, agência emissora do Cartão Universidade Politécnico e que abrange “mais de 85 por cento da população académica de Coimbra”, as contas dos alunos “não irão sofrer qualquer alteração”, segundo notificou fonte da instituição ao jornal A CABRA. “Os alunos poderão manter todas as contas bem como os meios de movimentação associados”. Miguel Portugal, presidente da Direcção- Geral da Associação Académica de Coimbra, acredita que é cedo para avaliar “quais as vantagens e as implicações para os estudantes”, embora espere um “melhor serviço ao nível do cartão de estudante”. Considera também que a presença do Santander advém de uma “estratégia mais agressiva do banco no contacto com o mercado mais jovem”.
“Capitalismo académico”?
A aposta no Ensino Superior por parte do Santander, na aspiração de se tornar o “Banco das Universidades” é assumida por Cristina Neves Dias que explica que cerca de 80 por cento do investimento em Responsabilidade Social Corporativa é aplicado no ensino e conhecimento. O director do mestrado em Políticas e Gestão do Ensino Superior da Universidade de Aveiro, Rui Santiago, considera que os acordos praticados pelo banco Santander com as universidades públicas portuguesas não têm “objectivos filantrópicos; vêm com objectivos de lucro, que não são compatíveis com o carácter público do ensino”. Entende a cada vez maior presença de bancos privados nas instituições universitárias públicas como um fenómeno que designa por “capitalismo académico” e que contribui para que a diferença entre universidades e empresas se esbata. Já a vice-reitora da UC, Cristina Robalo Cordeiro, vê com bons olhos a associação ao Santander e acredita que a parceria tem benefícios amplos para a universidade: “significa uma abertura [da UC] à sociedade e também é favorável ao crescimento que neste momento a instituição quer ter”. E afasta qualquer possibilidade de ingerência nas políticas da universidade, ao relembrar que é a equipa reitoral que define “as áreas privilegiadas, discute-as com o banco e não vai aceitar de ânimo leve qualquer espécie de proposta que não vá ao encontro do que se quer fazer”. Adversamente, Rui Santiago defende que “a CGD, como instituição pública, tem mais legitimidade em estar dentro de uma universidade do que um banco privado, que vem ocupar espaços que foram financiados com dinheiro dos contribuintes, com dinheiros públicos”. O docente acredita que “as universidades começam a agir como uma empresa que esteja noutros mercados” e que os bancos privados que mantêm parcerias com universidades acabam por obter lucro à custa dos investimentos públicos.
Empréstimos podem aumentar
Uma das contrapartidas apontadas é a maior tendência para a contracção de empréstimos pelos estudantes. Rui Santiago, considera que a posição privilegiada de um banco privado dentro da universidade lhe garante um estatuto de “parceiro ideal para créditos”, caso o financiamento estatal do Ensino Superior sofra mais cortes e salienta o risco de uma privatização, em certa medida, das universidades. Já Sebastião Beltrão, director do Santander Universidades, defende que os empréstimos “permitem o acesso a muitos estudantes que não poderiam estar no Ensino Superior de outra forma” e alega que “praticamente o banco não ganha”. Robalo Cordeiro encara a parceria como uma necessidade de “procurar outros meios de subsistência e alargar as suas áreas de intervenção não só aos bancos, mas também às empresas e a outros mecenas”. E admite que se as universidades fossem “mais financiadas pelo Governo”, talvez não houvesse “tanta necessidade de abertura deste tipo de convénios”.
Notícia: A Cabra
Académico






































































































































Ultrapassado que está metade do mandato de António Cunha à frente da reitoria da Universidade do Minho, o reitor faz um balanço positivo do que foi feito e abordou temas quentes na actualidade universitária.

