De entre todo um leque de ofertas pelas diferentes universidades do país, o “top 30” dos cursos mais populares tiveram 12 mil candidatos, cerca de um quinto do total de inscritos para o ensino superior. Porém, apenas 5600 conseguiram atingir o objectivo de entrar nos cursos ou mestrados desejados.As estatísticas confirmam que os candidatos continuam a mostrar interesses conservadores, não apenas quanto a estabelecimentos de ensino, mas também em termos de área de formação. Deste modo, as cidades que os alunos demonstraram ter preferência foram Coimbra, Porto e Lisboa. Relativamente às áreas de formação, aqueles que obtiveram mais candidaturas foram Direito, Saúde (nomeadamente nos cursos de Medicina, Enfermagem e Ciências Farmacêuticas), Gestão e Economia, sem deixar de fora as diversas Engenharias, com a “novidade” do curso de Ciências da Comunicação.
Apesar das vontades dos candidatos, a verdade é que uma grande parte deles acabou por não conseguir entrar na sua opção preferencial, já que as vagas são limitadas, obrigando muitos estudantes a contentarem-se com cursos não tão satisfatórios à partida. Exemplos claros foram os cursos de Direito e Medicina, nas universidades de Lisboa, que acabaram por não admitir, nas múltiplas fases de acesso, nem perto da metade e da terça parte dos candidatos, respectivamente. Porém, o curso que mais desapontou os candidatos foi o de Ciências da Comunicação, em que unicamente 85 se conseguiram matricular dos quase 400 que se inscreveram.
Em termos generalizados ao território nacional, este ano houve um recorde de admissões com perto de 60 mil colocados nas primeiras e segundas fases, tanto em universidades como em politécnicos. Para a terceira fase ainda sobraram 3000 lugares que, muito provavelmente, não foram completamente ocupados.
Considerando todos os dilemas que este assunto tem causado, o secretário de Estado do Ensino Superior, Manuel Heitor afirma que a oferta não tem sido suficiente para satisfazer a procura, sobretudo no Porto e em Lisboa. Contudo, o aumento de vagas teria um impacto substancialmente negativo, visto que “conduziria ao abandono da rede de ensino superior instalada em todas as regiões”, o que originaria um impacto grave no equilíbrio regional do país, desarmonizando uma positiva distribuição de estudantes pelas diversas entidades de ensino superior, sendo que seria perfeitamente visível um “desperdício dos investimentos já feitos em instalações, equipamentos e pessoas”, reiterou.
Daniel Vieira da Silva

Ultrapassado que está metade do mandato de António Cunha à frente da reitoria da Universidade do Minho, o reitor faz um balanço positivo do que foi feito e abordou temas quentes na actualidade universitária.

