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Mestrado sem propinas para licenciados sem emprego

Luís Pedro tem 41 anos, é licenciado em Engenharia Zootécnica, master degree em produção animal internacional (Inglaterra), tem uma pós-graduação em Gestão, já desempenhou cargos de direcção em cinco empresas e está desempregado há dois anos. Hugo Braz tem 30 anos, marketeer, é licenciado em Gestão, desempenhou funções no quadro sénior de uma multinacional durante oito anos e está sem emprego desde o Inverno de 2008.
Os dois têm um bom currículo académico e experiência profissional. De que vale então continuar a investir na formação? Nenhum deles sabe a resposta, mas continuam a estudar, como se fosse um vício, que não conseguem largar.

Aposta na formação para conseguir emprego

Neste momento, Luís Pedro e Hugo Braz estão entre os 30 alunos que preenchem 5% das vagas nos mestrados executivos que a ISCTE Business School (IBS) que abriu este ano lectivo para licenciados sem emprego. Os requisitos deste curso são ter curso superior, ter mais de três anos de experiência profissional e procurar emprego há pelo menos seis meses. “A iniciativa tem muito a ver com a nossa responsabilidade social e, num momento de recessão económica, consideramos que podemos contribuir para reduzir o desemprego entre a população qualificada”, explica o presidente do IBS, António Gomes Mota.
O objectivo deste curso é oferecer uma oportunidade aos alunos de frequentar uma pós-graduação sem pagar nada no sentido de valorizar a formação e encontrar um novo emprego em tempo de crise. “Mais do que enriquecer o currículo, estes cursos servem para estabelecer uma rede de contactos com os profissionais que estão no activo”, explica Hugo Braz, aluno do mestrado em Sales Management.

Novas perspectivas perante o mercado “lotado”

Mais de um ano à procura de emprego serviu para concluir que não há lugar para ele: “Quadros médios e superiores estão neste momento bloqueados.” O mercado de trabalho encolheu e Hugo Braz encontra-se agora “naquele intervalo de tempo” que o exclui da maioria das ofertas: “Quem tem entre cinco e 12 anos de experiência não consegue emprego porque esses lugares deixaram de existir.” Perfil desadequado às vagas a que se candidatou foi o que ouviu ao longo de dezenas de entrevistas. Experiência a mais parece ser uma desvantagem.
O desemprego, no entanto, pode até ser uma nova oportunidade. Tanto Hugo Braz como Luís Pedro estão convencidos de que chegou a hora de satisfazer as suas ambições. O marketeer diz que é o momento de criar o seu próprio negócio e o engenheiro decidiu seguir o seu gosto pessoal e tirar uma pós-graduação em Marketing e Management: “É uma viragem total no meu percurso profissional, que nada tem a ver com o sector primário em que sempre trabalhei.”

 
 
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