No passado dia 28 de Janeiro os Clã aterraram em Braga a bordo do seu mais recente álbum, “Disco Voador”, para apresentarem o que os próprios definem como um “espectáculo para supernovos”. Pais e filhos encheram a sala principal do Theatro Circo para assistirem a um espectáculo que encantou miúdos e graúdos.
Com uma forte dimensão cénica e assumidamente destinado a todos os públicos, “Disco Voador” distingue-se pela inspiração no imaginário infanto-juvenil que deu origem a temas compostos por Hélder Gonçalves. A voz continua a pertencer à carismática Manuela Azevedo e as letras surgem agora com autoria de Regina Guimarães.
Em entrevista ao ACADÉMICO, Manuela Azevedo conta que tudo começou com um convite para fazerem um espectáculo para crianças na Primavera de 2010. O desejo de fazer algo para os mais novos já era antigo. A banda considerava que havia poucas propostas musicais diferentes nessa área, por isso, aproveitaram o convite para precipitar o desejo de fazer música para um público diferente.
Contudo, a vocalista garante que “não foi tanto no intuito de conquistar um público novo, foi mais para tentar dar uma proposta diferente” para aquilo que a banda acha ser uma zona vazia naquilo que é a oferta musical do país. Por outro lado, os Clã viram no “Disco Voador” um desafio que iria exigir muito da banda, porque consideram que “fazer um bom espectáculo para crianças é uma coisa difícil”.
Deste novo projecto nasceram temas como “Os Embeiçados”, “Asas Delta” e “Chocolatando” que têm como protagonistas os “supernovos” e que falam de amizade, dos amores da adolescência e de coisas que não são politicamente correctas.
Assumidamente inspirados no universo dos mais jovens, os Clã evitaram, contudo, os facilitismos que, normalmente, dominam os projectos infanto-juvenis. Manuela Azevedo explica que, como pais, não queriam dar aos filhos uma coisa que lhes parecia desinteressante, e, como artistas, tinham a consciência que as crianças são espectadores de grande qualidade e grandes capacidades.
As crianças “têm uma grande capacidade de atenção e de foco, imprimem todos os sentidos naquilo que estão a ver e têm uma imaginação muito mais livre”, e é por isso que Manuela Azevedo considera que elas “são os espectadores ideais”. “O desafio era encarar os miúdos como espectadores muito exigentes e por isso não podíamos fazer uma coisa fácil nem simples”, confessou a vocalista. “Tinha que ser a nossa música, feita da melhor maneira, com letras muito boas, um espectáculo que também fosse interessante em termos estéticos”, acrescentou.
Apesar de terem apresentado as canções do álbum nas escolas, antes mesmo de as terem gravado, e de terem percebido que as crianças gostavam muito, o sucesso do “Disco Voador” surpreendeu-os. O primeiro single, “Os Embeiçados”, foi uma das músicas mais ouvidas em 2011 nas rádios portuguesas.
A banda foi galardoada com o Prémio Arco-íris 2011 da Associação ILGA Portugal – Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero, pelo seu contributo na luta contra a discriminação e a homofobia, nomeadamente através da música “Arco-íris”. Apesar de rejeitarem a ideia de serem uma banda de intervenção, confessam que “num disco como este, que é um disco que parte dos miúdos, das emoções da infância, daquilo que é importante para eles viverem, há questões e valores que tinham que estar lá”.
Ângela Coelho




























Ultrapassado que está metade do mandato de António Cunha à frente da reitoria da Universidade do Minho, o reitor faz um balanço positivo do que foi feito e abordou temas quentes na actualidade universitária.

