
É um novo cineclube criado por amigos que alimentaram, ao longo dos anos, o gosto e paixão pelo cinema. Num tributo directo a Aurélio da Paz dos Reis, figura essencial no surgimento do cinema em Portugal, o cineclube com mesmo nome procura pensar o cinema e dar a pensar o quotidiano. Começou em 2011 mas vai muito para além deste ano.
Aurélio da Paz dos Reis (Porto, 28 de Julho de 1862 — Porto, 18 de Setembro de 1931) é apontado como o pai do cinema animado português – e atenção à interpretação das palavras, “animado” nada tem a ver com “cinema de animação”. É considerado o pioneiro do cinema em Portugal, pois foi o primeiro português que produziu e realizou um filme no seu próprio país – e o cinema português, de Oliveira a Canijo, de Vasconcelos a César Monteiro, de Botelho a Fernando Lopes, tem o dever de lhe agradecer. “A Saída do Pessoal Operário da Fábrica Confiança” é uma réplica do primeiro filme da história do cinema, que foi rodado em França pelos irmãos Lumière. E a ligação a Braga é relevante, já que foi ele o responsável pela cidade ter visto “cinema animado pela primeira vez, no antigo São Geraldo”, antes de partir para o Brasil com o seu filme.
Estavamos nos finais do século XIX, inícios do seculo XX, tempos em que a democracia era uma miragem e o cinema a 3D – “fora do ecrã?” – era utopia.
Memória de Paz dos Reis
Foi em tributo a esta figura secular, essencial na afirmação de um cinema de cunho nacional, que surgiu o Cineclube Aurélio da Paz dos Reis (e aqui nenhum dos artigos é usado em vão). É uma “memória” que não morre, que se perpetua para lá dos anos e dos novos formatos do cinema. “No fundo, tudo surgiu de um grupo de amigos que há muito tempo alimenta uma paixão pelo cinema e que, há cerca de um ano, teve a ideia de promover a exibição de cinema na cidade de Braga, a cidade na qual nascemos”, revela César Pedro, um dos fundadores deste novo cineclube. “A ideia era criar um sítio, um local, um espaço, uma ideia de programar cinema que fosse para além da simples exibição de um filme. Queriamos que fosse um espaço de encontro com uma identidade cultural, um espaço de debate, um espaço de partilha de ideias, como o conceito de cineclube deve ser”, prossegue o jovem, contabilizando “um ano” desde a ideia da realização do projecto até à real concretização do mesmo.
Ciclo de Natal
E para a chegada a bom porto, um nome foi fundamental: “Tivemos o convite de uma figura que, a meu ver, é fundamental nesta cidade”, revela Miguel Ramos, outro dos responsáveis, referindo-se a João Catalão, programador cultural da Casa do Professor. “Não o conhecia e foi uma supresa. Acho que é um nome fundamental para a cultura na cidade”, refere. A ideia seria, assim, programar sessões quinzenais no espaço da Casa da Professor. Ideia que foi aceite e que decorre já desde o final de Novembro. “Está, neste momento, a decorrer um ciclo dedicado ao Natal”, acrescenta César Pedro. Mas não se pense que há direito a aventuras de Shrek. “Não sabíamos mas Braga é uma das cidades com o maior número de associações de apoio aos antigos combatentes (na Guerra Colonial). Mas sentimos que na nossa geração (dos 20 anos) há uma grande falta de informação. E a ideia é que, com estes filmes, possamos falar com a geração mais velha e possamos conhecer mais sobre esta realidade”, destacam. Assim, e depois de na passada sexta-feira ter sido exibido o “Natal de 71”, um filme basilar de Margarida Cardoso, será exibido “Adeus, Até ao Meu Regresso”, um documentário de 1974 de António Pedro Vasconcelos.








































Ultrapassado que está metade do mandato de António Cunha à frente da reitoria da Universidade do Minho, o reitor faz um balanço positivo do que foi feito e abordou temas quentes na actualidade universitária.

